sexta-feira, 14 de março de 2014

Ilusão?


Hora de renovar a crença.


- Você vai conseguir sair desta tempestade?
- Enquanto perdurar esta ganância, sei não, Carlos. Eles vão se rebentar mais à frente. Tenho pena dos milhares de trabalhadores espalhados por todo o país. Um dia irão perder a esperança.

O presidente da Cooperativa Terra e Mar lia o jornal enquanto um amigo, jornalista, o questionava:

- Preparam a armação para os covos, incentivam a pescaria, mas, na hora de dividir o peixe dá tudo errado. A partição não é justa. Administrar uma cooperativa, deste porte envolve um mundo de gente a querer concessão. Com isso gera-se a instabilidade e dificulta a implantação do projeto. 
- E você, por quanto tempo ainda suportará esta pressão? Continua acreditando que irá implantá-lo.
- Sou nordestino, nasci pobre, estudei em escolas públicas, mas tenho orgulho do que aprendi até hoje.  Quando resolvi ser presidente desta cooperativa, sabia que teria dificuldades. Agradar a todos não é fácil. Preciso confiar nos meus assessores, até que me provem o contrário. Vou insistir.
- Mas, o que eles lhe deram em troca?
- Fora as tempestades, calmarias. Avanços significativos. A cooperativa cresceu até mais do que eu esperava. Em alguns setores diria que foi até bom, melhor do que nas gestões anteriores. Mas a ganância de muitos vem estragando o que se construiu. Reconheço que uma boa limpeza será necessária para descobrir onde estão as eras daninhas que contribuem para o apodrecimento dos produtos da cooperativa. Do contrário a produção será um fracasso total.
- Vai ser uma batalha difícil.
- Mas não impossível se conseguir pegar o fio da meada. Você é testemunha que fizemos algumas melhorias. As respostas vieram rápidas: a produção cresceu, a Cooperativa sobressaiu-se. Quem não a conhecia por dentro a imaginou sólida. As filiais por todo o Brasil davam sinais de prosperidade. O mercado com o exterior foi acelerado e podemos vender a preços competitivos. Firmas internacionais acreditaram nos resultados de curto prazo. Atribuíam o crescimento aos planos da nova administração e o entusiasmo dos empregados. Com isto trouxemos o capital estrangeiro. A nova fase deu esperança a todos.
- Por que então não conseguiu manter o ritmo?
- Ah! Meu amigo. A ganância.
- Não acredita que a omissão de alguns foi um fator que mais pesou para esconder a flora de eras daninhas?
- Não propriamente a omissão. Diria que faltou uma ação conjunta de todos. A cooperativa precisa ser administrada com um único objetivo; o crescimento de todos.
- Mas isto é impossível. Os interesses estão acima de tudo. Não vejo saída Você está numa enrascada. Todo dia surgem novidades. Lembre-se que a cooperativa tem muitos sócios. Administrar sozinho é impossível. Novos sócios irão surgir com soluções as mais miraculosas possíveis. Para os projetos saírem do papel você irá precisar da aprovação e consenso deles. Diga-me a verdade, você tem saída?
- Tenho. Vou investir com todas as forças. Se perder a esperança a administração será um fracasso.
- Não seria melhor entregar o cargo?
- De jeito nenhum. O compromisso assumido me impede. Tenho de renovar a crença. Eles precisam ver a cooperativa em pleno progresso.
- Carlos, já está na hora de mudar. Seja contundente, mais ousado. Desagrade a alguns, mas cumpra o prometido. Arme-se de coerência. Um pulso forte nestas horas é preciso. Lembre-se que muitos estão esperançosos. Não os desiluda.
- Isto é tudo o que não desejo. Deus irá me ajudar na escolha dos novos sócios. Se errar desta vez, será o caos.
- Serei sincero com você. Se desta vez cometer qualquer falha pode abandonar a cooperativa ou eles lhe crucificarão vivo.


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